quinta-feira, 1 de março de 2007

Descansa em Paz

Manuel Galrinho Bento
(25/06/1948 - 01/03/2007)

terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

Prazeres da Vida I – Dormir

Acaba mais um dia de trabalho.
São oito da noite.
Chega-se a casa, depois de uma viagem de mais ou menos vinte-cinco minutos de carro. Chove a potes e está frio. Entra-se, fecha-se a porta, pendura-se o casaco. (Já todos jantaram, pois claro… chegaram mais cedo a casa! E fizeram eles muito bem – já são quase nove da noite e amanhã é para levantar às seis e meia…) Vai-se até à mesa, come-se qualquer coisa (sozinho), sempre serenamente (só).
Já são nove e meia.
Vê-se um pouco de televisão e pensa-se um pouco nos Houses e Earls deste mundo, só para nos distrairmos um pouco dos Eus que às vezes tanto (não) queremos ser ou ver…
São dez e meia.
Chegou-se a casa há cerca de 2 horas e vai-se para o quarto. Está frio. Melhor do que lá fora, mas frio. Os pés estão frios e deslizam pelos lençóis até chegar ao fundo da cama, onde está mais quente. Puxa-se o edredon até às orelhas, procura-se aquela posição adequada e espera-se que venha o sono e o calor.
Já são onze horas.
A mulher pede que a aqueçamos – tem os pés sempre mais frios. Aquecemo-la. Na medida do calor possível. É então que, naquela paz, adormecemos…
…até às cinco, hora em que o alarme começa a tocar.
Tomamos, então, novamente consciência de estar aqui. O ali já ficou para trás, mas ainda há tempo para recordá-lo. Toca-se no Snooze. Só mais cinco minutinhos… a cama está bem quente. Aliás… demasiado quente. Viramo-nos para o outro lado, para onde os lençóis estão ainda frios e volta-se ali, pelo menos até carregar no Snooze de quinze em quinze minutos…
…até às seis e meia.

terça-feira, 9 de janeiro de 2007

Memória Fotográfica

Comprei uma memória fotográfica. Ossos do ofício. Eu, que sempre fui péssimo para me lembrar de caras, de papéis, que nunca consegui decorar nada no tempo em que estudava pouco…

Mandaram-me comprar uma. Agora, qualquer risco torna-se traço; qualquer bola torna-se perna, volta ou arabesco de uma qualquer caligrafia; qualquer quadrado ou rectângulo torna-se folha… A4. O meu mundo é sempre em A4, com esta memória fotográfica. É limitado aos lados, em cima e em baixo. Antes não tinha formato, nem limites, nem sequer linhas, mas tinha música.

Comprei uma memória fotográfica. Ossos do ofício. Ossos que cresceram numa mente que não queria crescer. Mas mandaram-me comprá-la(s)…