6ª feira no estômago
O meu estômago diz-me que hoje é sexta-feira. Já tenho esta sensação há anos… mesmo naqueles tempos em que não tinha nada para fazer, já sentia a sexta-feira na boca do estômago. Ia para a escola a semana toda, não fazia puto de nada, senão estudar (pouco) e brincar nos intervalos e também no meio das aulas. Não me preocupava com nada, já que a mamã e o papá me faziam a papinha toda. Não sabia o que eram as contas da luz, da água e do gás, nem o que era ter uma casa para pagar. Ainda não havia TV Cabo, mas havia parabólicas… pensava que era mesmo o Pai Natal que comprava tudo o que me aparecia debaixo da árvore no dia 24 de Dezembro, depois do jantar, e que ele tinha mesmo bebido um copinho de aguardente, que o meu pai lhe oferecia sempre, por causa do frio!... mas quando chegava a sexta-feira, sentia – e sinto – sempre o mesmo. Entro num estado de euforia contida; o dia, se é de trabalho, leva uma eternidade a chegar ao fim. Quando chega, alguma coisa me larga; alguma coisa que, desde domingo de manhã, me anda a apertar e sufocar. Mesmo assim, continuo a sentir sempre a sexta-feira. Desde pequenino. Só que agora tenho menos cabelo. Não estou careca, mas para lá caminho. A barba é que cresce todos os dias. Pago contas, muitas contas. Algumas bem altas. E o Euromilhões é logo à noite…

2 comentários:
O meu estômago diz-me que deves continuar a escrever à 2ª, à 3ª, à 4ª, à 5ª e à 6ªfeira e ao sábado e ao domingo. A vida transforma-se à medida que se cresce. Mas a arte de escrever sobrevive quer se tenham ou não muitas contas para pagar. Por isso, não fujas ao fisco e escreve todos os dias!:) Hang on Charlie Babbitt! Continua porque "of course you're an excellent driver...". Beijinhos
hello! :)
Enviar um comentário