sexta-feira, 24 de novembro de 2006

O Natal que sou agora

Vou-me deitar. O vento e a chuva lá fora incomodam-me. Incomodam-me, mas acabam por me embalar para um qualquer Natal passado. O meu Natal é memória. O meu Natal é feito de sítios e de pessoas, de criptoméria, presépio e ramos de cedro com prendas em cima. Alguns sítios já não são os mesmos sítios e algumas pessoas já não são as mesmas pessoas (algumas já não são, simplesmente, pessoas), mas a memória está comigo e faz de mim o Natal que sou. Quero chorar. Quero chorar, porque os sítios de agora são outros e as pessoas de agora são outras. Quero chorar, porque no Natal que sou já não existe Pai Natal. Quero chorar, porque o Natal que existe em mim é só memória. É história. E eu quero tanto atirar-me para o chão, bater com os punhos e com os pés e berrar:

Eu quero o mesmo Natal para sempre!
Eu quero o mesmo Natal para sempre!
Eu quero o mesmo Natal para sempre!

Apetece-me tanto desgraçar-me e fazer figura triste... e adormeço nesta loucura. Adormeço na chuva e no vento que batem na minha janela, chamando por mim, pelo Natal que fui... mas o Natal que fui é o Natal que sou agora.

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